Venezuela: o que mudou um mês depois da captura de Nicolás Maduro

A captura de Nicolás Maduro completou um mês nesta segunda-feira, 2, com a Venezuela sob uma reorientação política e econômica vertiginosa. Desde a operação de grande escala confirmada por Donald Trump em 3 de janeiro, o governo interino de Delcy Rodríguez cedeu em frentes antes impensáveis para o chavismo. O regime aceitou a abertura total do setor petrolífero e iniciou a soltura de centenas de presos políticos, enquanto negocia a reabertura da Embaixada dos Estados Unidos em Caracas.

Maduro e a esposa, Cilia Flores, permanecem presos em Nova York, onde aguardam julgamento por narcoterrorismo e tráfico de armas. Em solo venezuelano, a nova Lei de Hidrocarbonetos simboliza a maior mudança estrutural. Empresas estrangeiras agora podem explorar petróleo por conta e risco, sem a obrigatoriedade de controle acionário da estatal Petróleos de Venezuela. A medida visa a atrair investimentos imediatos, enquanto a nafta norte-americana já volta a abastecer as refinarias locais.

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A diplomacia também registra avanços rápidos. A nova representante dos Estados Unidos para a Venezuela, Laura Dogu, reuniu-se com Delcy Rodríguez nesta segunda-feira para alinhar os próximos passos da transição. A aproximação ocorre sob a sombra de declarações frequentes de Trump, que afirma exercer o controle sobre as decisões e as receitas do petróleo venezuelano.

Cronologia da queda de Maduro e da abertura da Venezulea

Os ataques simultâneos a instalações militares, como o Fuerte Tiuna e a Base Aérea La Carlota, em 3 de janeiro, selaram o destino do regime. Depois de Maduro ser levado à Justiça norte-americana, o governo interino tentou equilibrar a retórica de soberania com as exigências de Washington. Em 8 de janeiro, o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, anunciou a libertação de detentos, movimento que já beneficiou 344 presos políticos, segundo a ONG Foro Penal.

Na semana passada, a presidente interina propôs uma lei de anistia geral e anunciou o fechamento do El Helicoide, centro de detenção que se tornou símbolo de torturas. A mudança de postura reflete a necessidade de “cooperação” citada por Trump. O presidente norte-americano chegou a revogar a proibição de voos comerciais de companhias norte-americanas para o país. O governo republicano também revelou que deseja a participação da líder opositora María Corina Machado no processo de transição.

Apesar das concessões, Delcy Rodríguez nega publicamente a subordinação total a Washington. Contudo, o controle da receita das vendas de petróleo pelos Estados Unidos e a presença constante de equipes do Departamento de Estado em Caracas revelam que o futuro da Venezuela está, no momento, vinculado às diretrizes da Casa Branca. A reabertura oficial da embaixada deve consolidar esse novo cenário diplomático nas próximas semanas.

Fonte: Revista Oeste 

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